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Danilo Cechinatto

Palestrante Educacional Profissional Organizacional Business and Executive Coach

outubro 25, 2018

Redes sociais: a vida do outro parece mais interessante

  • outubro 25, 2018
  • | Por Danilo Cechinatto

Você é daquele tipo de pessoa que não consegue se desconectar das redes sociais? Passa o tempo todo atualizando o feed para ver se tem novidade? Está na hora de sair da internet e de se reconectar com você mesmo.
É só abrir o Facebook ou o Instagram que bate aquela inveja dos amigos que estão viajando ou que estão em algum restaurante badalado da cidade? Você sente inveja daquela amiga que postou foto de uma bolsa linda ou daquele amigo que postou foto de uma exposição super legal? Não consegue parar de olhar o Whatsapp nem durante um filme no cinema por medo de ficar de fora de alguma conversa?
Além da inveja incontrolável que imediatamente toma conta de você, surge um incômodo enorme por estar “de fora” do que parece ser o programa mais bacana da cidade, o assunto mais comentado do momento, a festa mais animada que existe? Bem, se te incomoda tanto assim bastaria fechar o aplicativo e colocar o celular de lado, não? Bem, parece que não é tão simples assim.
Um estudo recente revelou que 70% da população mundial sofre FOMO, sigla em inglês para Fear Of Missing Out ou, em tradução livre, medo de estar perdendo alguma coisa. Segundo o cientista social da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e líder de um grupo de pesquisas sobre o assunto, Andrew Przybylski, FOMO é um desejo de permanecer continuamente conectado com o que os outros estão fazendo. Desejo esse que surge por um sentimento de apreensão e uma constante preocupação de que os outros estejam vivenciando experiências mais gratificantes que as nossas. Um mal dos tempos modernos, em que a vida nas redes sociais parece mais interessante.
Ainda segundo o pesquisador inglês Andrew Przybylski, a maioria de nós hoje sofre dessa síndrome, caracterizada por três sintomas principais:
1) ser incapaz de se desconectar;
2) sentir-se muito incomodado por não saber o que os outros estão fazendo;
3) ficar deprimido por não participar de algo que considera como o assunto do momento.

A síndrome do excluído

FOMO não é bem uma doença, mas pode gerar ansiedade, indecisão, inadequação e irritação. E tudo desencadeado por algo um tanto banal. A avalanche de informações sobre o que estão fazendo seus amigos, as fotos engraçadas do final de semana ou atualizações de status indicando que estão em algum lugar divertido, fazem com que você se questione o tempo todo: “E por que eu também não estou fazendo isso?”.
Para Dan Ariely, professor de psicologia e comportamento econômico na Duke University e autor do livro “Predictably Irrational” esse comportamento ocorre porque nós ficamos com medo de estarmos fazendo as escolhas erradas em nossas vidas e em como escolhemos passar nosso tempo livre. Se você descobre que seus amigos estão se divertindo sem você naquele exato momento quando confere seu Facebook a sensação é totalmente diferente daquela que você experimenta se descobrisse dias depois, enquanto se reúne com eles e comenta como foi seu final de semana. 
E olha que ironia, no final das contas seus amigos nas redes sociais acabam, de maneira involuntária, se tornando seus piores inimigos. Quando você já está farto de se sentir assim decide que de agora em diante vai usar suas redes sociais somente para postar as fotos do seu final de semana, comentar sobre o quão maravilhosa está sendo sua viagem ou mostrar a todos os seus amigos os lugares bacanas e as pessoas novas que você conhece todo dia. Esse seu “perfil falso” pode até fazer com que você se sinta bem, mas desencadeia a FOMO em algum outro amigo seu que absorve essas informações. Essa atitude já tem um nome também “braggies”. Sim, são os tempos modernos.

A vida do outro sempre parece mais interessante

A síndrome de FOMO só existe porque as pessoas passam o tempo todo se comparando as outras, numa competição infinita. É a roupa mais bonita, a viagem mais legal, a festa mais animada, etc. Somos uma geração de mimados, que quer sempre o melhor, quer sempre ser o centro das atenções.
O problema é que pessoas esquecem que a vida nas redes sociais é editada! Ninguém posta foto de velório, doença, briga, casa bagunçada, roupa suja, trabalho acumulado. As redes sociais criam uma bolha imaginária, na qual tudo é perfeito, lindo e colorido. A vida do outro sempre é melhor, sempre é mais fácil, sempre é mais perfeita. Será que é mesmo? Que tal parar de olhar tanto para grama do vizinho e cuidar do próprio jardim?

Aproveite o momento

Quando alguém sofre a FOMO – o medo de estar perdendo algo-, a avalanche de informações sobre o que os seus amigos (ou não) estão fazendo e as atualizações indicando que eles estão em lugares incríveis faz surgir a pergunta: “Por que eu também não estou fazendo isso?”. Então, bate aquela vontade de sair pelo mundo e aproveitar tudo como se não houvesse amanhã, no melhor estilo carpe diem, (aproveite o dia) certo? Errado!
A ânsia em querer mostrar para os outros o que está fazendo é tão grande, que as pessoas esquecem de aproveitar realmente aquele momento especial. É mais importante tirar foto da praia para postar do que de fato relaxar. É melhor fazer check-in do restaurante em que está do que apreciar a comida e o local. Show? Ah, é melhor filmar seu cantor preferido para postar nas redes sociais do que cantar juntinho com ele ali ao vivo.  Quantas vezes você deixou de curtir um espetáculo pra valer porque preferiu ficar postando sobre ele? Qual foi a última vez em que aproveitou o jantar sem ficar grudada no celular? 

Você está 100% presente?

Se tem uma coisa chata é sair com uma pessoa que não pára de mexer no celular. E aquelas pessoas que insistem em tirar fotos mega sorridentes mesmo que o passeio esteja sem graça? Por que fingir que está feliz? Por que as pessoas não são 100% verdadeiras ou não estão 100% presentes, seja num encontro ou num relacionamento?
Sabe o que é curioso? As pessoas querem aproveitar a vida intensamente, mas não conseguem porque perdem tempo investigando (ou stalkeando) a vida dos outros. Se preocupam tanto com que os outros fazem, que se esquecem da própria vida, dos próprios sonhos, objetivos e metas. Ficar se medindo pela régua dos outros é um grande erro.
Aproveite o momento. Se entregue de corpo e de alma, com 100%. Dê atenção para você, para quem está do seu lado. Pare de querer viver uma vida que não é sua, uma vida que é virtual.

Desconecte-se do virtual e conecte-se com o seu interior

As pessoas têm carregado suas vidas no bolso. O celular, mais do que um aparelho, virou um artigo de moda, uma tatuagem, um objeto de dependência. O celular virou um purgatório emocional. Se as pessoas estão tristes: vão para o celular. Estão felizes: celular. Ansiosas: celular de novo. As pessoas pegam o celular para encobrir sua realidade e se conectar com uma outra realidade: a virtual! E, de novo, ficam ansiosas, tristes, felizes. Quando voltam para sua realidade, já vão em busca de uma nova notificação, uma curtida, um like, um compartilhamento. O cérebro das pessoas está viciado em receber alertas de notificações. Mas a melhor notificação é aquela que damos para nós mesmos. É quando olhamos para o celular e dizemos: eu que mando em você e não o contrário.
O mundo não vai acabar se você não responder imediatamente uma mensagem assim que receber. As pessoas vão entender que você tem uma vida, tem prioridades e responsabilidades. Celular não é sinônimo de pessoas informatizadas. Pessoas são muito mais do que curtidas, muito mais do que número de seguidores. Hoje em dia, a maior parte das pessoas está perdida em um mundo de múltiplas conexões. Elas acordam e imediatamente pegam o celular. Assim, já se conectam com o trabalho, com os familiares, os amigos…Só não se conectam com as pessoas mais importantes: elas mesmas!
Essas pessoas comem mexendo no celular, preferem dar atenção para um grupo no Whatsapp do que para um amigo que está ali do lado, pensam ou esquecem das próprias vidas conectadas ao celular! Sim, as pessoas estão cada vez mais reféns da tecnologia, escravas da comunicação instantânea. Não conseguem se libertar e viver o momento presente, não consegue ver a importância de um abraço, uma conversa olho no olho, de uma risada de verdade e não um “kkkkk” sem graça. As pessoas estão vivendo reféns de ferramentas e mídias sociais que competem entre si por números; buscam respostas num aparelho de celular! Mas as melhores respostas vêm de nós mesmos.

A vida não acontece dentro do celular

Por viverem nesse mundo paralelo, algumas pessoas acabam deixando a vida desorganizada, sem atenção, sem memória, sem emoções de qualidade. A vida fica travada. Se uma pessoa sai para jantar com um grupo de amigos, por exemplo, e fica o tempo todo mexendo no celular ao invés de dar atenção para quem está ali na frente dela, ela tem problemas. Problemas de comunicação, problemas de interação social, problemas de auto-aceitação, de viver a sua própria realidade.
A vida não acontece dentro de um aparelho de celular. Qual a conexão que você tem tido todos os dias com você mesmo? Com a sua essência, com o seu melhor? Com o seus objetivos, com o real poder que você tem de mudar a sua vida? Quem acorda todos os dias e já pega o celular começa o dia refém da agenda dos outros ao invés de decidir como o seu dia será! Não deixe a sua vida ser guiada pela conexão virtual. Sua vida deve ser guiada por você.
Acorde todos os dias relembrando o seu real poder interior, das suas melhores virtudes, do melhor que você espera para o seu dia e viva! Curtidas, seguidores, compartilhamentos, visualizações são números virtuais, não dizem quem realmente somos. O que diz quem realmente somos é a nossa história, é o legado que estamos construindo de uma vida que vai muito além da internet.
Saia com os seus amigos e deixe o celular em casa de vez em quando. Se você usa o celular para trabalhar, coloque horários definidos para trabalhar e desligue o telefone. É simples! Não viva de cabeça baixa sempre digitando ou “curtindo” a vida dos outros. Pare um pouco, olhe para o céu, sinta a vida, sinta o seu propósito. A internet é um meio, não é o fim. Às vezes, é preciso se desconectar. Não editar. Não publicar. Não curtir. Não compartilhar. Não instagramizar. Não twitar. Reveja sua próprias metas, sua missão. Viva, tenha experiências diferentes.
Conecte-se com o mundo real. Conecte-se com você mesmo.

Desafio: que tal tentar se desconectar?

Vou lançar o desafio aqui e propor algumas metas para quem acha que é impossível viver sem olhar as redes sociais a cada 10 minutos. Sim, é possível! E, claro, é um exercício para que sofre com essa síndrome de FOMO, de achar que está perdendo algo ou que a vida dos outros é mais interessante.
Vamos lá!
  • Delimite tempo para acessar as redes sociais
Você já parou para pensar no tempo que perde olhando o feed do Instagram? E as atualizações do Facebook? Já contou quanto tempo fica no Twitter? Sério, é muito tempo desperdiçado. E você não precisa olhar suas redes sociais a cada meia hora.
Defina um tempo máximo por dia que você ficará no Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, Whatsapp…Enfim, estabeleça, por exemplo, 30 minutos para isso. Escolha o melhor horário, acesse, fique os 30 minutos e feche o aplicativo. Abra novamente no dia seguinte. Você não vai perder nada de importante, juro.
  • Escolha um dia para não mexer nas redes sociais
Esse pode ser um desafio para muita gente: não acessar redes sociais por um dia inteiro. Pode parecer difícil no início, mas depois é libertador. Existe vida fora do Facebook e do Instagram. Bem mais interessante. Se for muito complicado, comece ficando uma noite sem acessar ou talvez o sábado pela manhã. Comece devagar. Aos poucos, isso será natural.
  • Exclua da sua lista pessoas que te fazem mal
Não estou aqui falando para você excluir seus amigos o familiares das suas redes sociais. Mas se você chegou à conclusão de que tem FOMO e sabe exatamente quais pessoas te fazem sentir isso, por que continuar se martirizando? Tire essas pessoas da sua lista, elas te fazem mal. Uma coisa é seguir pessoas que você se inspira outra é seguir pessoas que te fazem sentir inveja. Inveja é um sentimento ruim! 
Vamos lá, desafio lançado!

Danilo estudou Psicologia pela FAE Business School, possui formação em Business and Executive Coach e faz MBA em Gestão e Liderança de Pessoas. Como palestrante educacional, tem desenvolvido a educação socioemocional no ambiente escolar.

Danilo Cechinatto
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Ceará, Brasil

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